Ah!
Se é verdade que eu só "existo" na minha mente
por que então esta moto que acabou de passar cortando a barreira do espaço e o limiar do tempo, e não menos, o asfalto que todo mundo pisa
inclusive esse ônibus agora que acabou de passar no mesmo asfalto e que não para de emitir som;
sons de moto rasgando o asfalto e que vem diretamente aos meus ouvidos sem antes destroçar a minha atenção privilegiada. O barulho que - quando o desgraçado dono dessa moto - faz com que a moto emita, por "causa" do acionar de algum botão naquela máquina que imediatamente coloca tanto a moto como o motoqueiro e o meu ouvido em um acelerado desespero sinfônico.
Considere-se agora o seguinte: nada é senão uma consciência de determinações conectadas em nós mesmos, da qual nada mais se pode inferir.
As motos na rua estão na verdade in ferindo o meu ouvido logo a minha atenção...
mas ainda estou disposto a torcer o meu braço e depois dá-lo a torcer novamente para o meu caro senhor Jacobi.
Considere-se então o seguinte: De tal modo a verdade é totalmente relativa. As leis de nossa intuição e do nosso pensamento nada prescrevem à natureza em si mesma. Sequer os princípios como o da razão suficiente, ou o de que do nada nada se origina: (...) todo nosso conhecimento não contém nada, absolutamente nada que possa ter um significado verdadeiramente objetivo.
só em transcrever esta passagem um trilhão ou apenas 3 - quiçá uma - moto passou pela minha janela e me causou uma enxaqueca inominável, mas no entanto perceptível.
Olhem para mim, estou acabado. Vocês não conseguem ver? Estou aqui escrevendo que a moto que acabou de passar - não contei, mas acho que 2-1 - moto na minha janela.
O que significa dizer: não é conhecimento; o conhecimento é impossível.
mas eu sei, mas minha dor de cabeça não para e eu vejo motos em minha janela agora. qual é a conexão entre isso e aquilo?
como podemos conciliar a pressuposição da existência de objetos que afetam os sentidos (causando as impressões que são a base de nossas representações) com a tese da incognoscibilidade das coisas em si?
Nenhuma moto - quero dizer, nenhuma representação, nem princípio ou móbil, quero dizer, conceito - são verdadeiramente objetivos. Não possuem nenhum conteúdo realmente objetivo.
Considere-se, por fim

